– Uma dose de Respeito

Uma Dose de Respeito é uma iniciativa de mobilização da Federação Brasileira das Associações de síndrome de Down junto às suas 38 instituições associadas, em busca do reconhecimento da priorização da vacinação para as pessoas com síndrome de Down, que recebe apoio e financiamento de organizações internacionais como a Down Syndrome International, a Disabled People’s Organisations Denmark e a UKaid.

O objetivo da campanha é pressionar todas as esferas governamentais: goveno federal, distrital, governos estaduais e municipais para que as pessoas com síndrome de Down sejam vacinadas de imediato, levando em consideração a vulnerabilidade, o risco de contaminação, a baixa imunidade e probabilidade de desenvolver uma forma grave de Covid-19.

No cenário atual, mesmo estando no grupo prioritário, as pessoas com síndrome de Down só serão vacinadas na 3ª fase do Programa Nacional de Imunizações (PNI), junto ao grupo de comorbidades, logo depois, estão as pessoas com deficiência permanente grave.

O que está se pedindo é que se cumpra a lei e que sejam considerados os estudos científicos que comprovam essa necessidade. A Lei Brasileira de Inclusão assegura que, em situações de risco, emergência ou estado de calamidade pública, a pessoa com deficiência será considerada vulnerável, devendo o poder público adotar medidas para sua proteção e segurança.

Então, junte-se a nós nesse grande movimento!

Juntos vamos exigir a priorização da vacinação às pessoas com síndrome de Down contra a Covid-19. Use a hashtag #UmaDoseDeRespeito nas redes sociais, em publicações e também nas páginas oficiais dos governos e secretarias de saúde. A saúde das pessoas com deficiência pede urgência!

Juntos vamos exigir a priorização da vacinação às pessoas com síndrome de Down contra a Covid-19.

Junte-se a nós nesta mobilização e compartilhe nas redes sociais o seu apoio!

Como está o calendário de vacinação?

As pessoas com síndrome de Down foram incluídas na fase 3, junto ao grupo de pessoas com comorbidades, porém o número de vacinas adquiridas até o momento não atende essas 3 fases iniciais.

 

Total de vacinados nas fases 1, 2 e 3: 49.650.255* – Total de doses necessárias: 104.265.535*

Fase 1

Trabalhadores de Saúde; pessoas de 75 anos ou mais; pessoas de 60 anos ou mais institucionalizadas; população indígena aldeado em terras demarcadas aldeada, povos e comunidades tradicionais ribeirinhas, pessoas maiores de 18 anos com deficiência residentes em residências inclusivas.

 

População*: 14.846.712

Doses necessárias*: 31.178.095

Fase 2

Pessoas de 60 a 74 anos

 

População*: 22.141.622

Doses necessárias*: 46.497.406

Fase 3

Pessoas com comorbidades, Pessoas com síndrome de Down, como diabetes mellitus, hipertensão arterial grave, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, indivíduos transplantados de órgão sólido, anemia falciforme, câncer, obesidade grave.

População*: 12.661.921

Doses necessárias*: 26.590.034

 

*Cabe ressaltar que ao longo da campanha poderão ocorrer alterações na sequência de prioridades (trecho retirado do PNI).

“Uma espera que pode custar muitas vidas!”

“Sem doses para todos, vacinação contra a covid-19 deve entrar em 2022.
Melhor hipótese é que toda a população esteja imunizada no 2º trimestre de 2022”

Juarez Cunha, Presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Nos estados, cada Secretaria de Saúde tem atuado com seu calendário próprio e as doses não têm sido suficientes para toda a população pertencente ao grupo prioritário. Em São Paulo, por exemplo, no mês de março estão no grupo prioritário de vacinação os idosos 71, 70 e 69 anos, mas ainda não há previsão para imunizar pessoas com deficiência.

A nossa convocação é para que as instituições e toda a sociedade entre na campanha e ajude a acompanhar de perto, assim será possível cobrar a vacinação imediata das pessoas com deficiência às secretarias de saúde de seus estados e suas cidades.

É importante lembrar também que, a vacinação será aplicada apenas em pessoas com mais de 18 anos, já que ainda estão sendo feitos os testes em crianças e adolescentes.

Acompanhe o calendário de vacinação do seu estado:

Por que as pessoas com síndrome de Down precisam ser vacinadas de forma imediata?

Está previsto em Lei

Lei nº 13.146 de 06 de Julho de 2015

Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

Art. 9º A pessoa com deficiência tem direito a receber atendimento prioritário, sobretudo com a finalidade de: I – proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;

 

Além disso, elas têm maior vulnerabilidade ao contágio e, muitas vezes, dificuldade em seguir as medidas de segurança. É precisa levar em consideração que, cada pessoa com síndrome de Down tem as suas especificidades, podendo se comunicar, aprender e compreender de forma diferente. Podem apresentar:

– Intolerância sensorial ao uso de máscara;

– Dificuldade de reconhecer e comunicar os sintomas;

– Baixa imunidade;

– Problemas cardíacos;

– Hipotonia (flacidez muscular, inclusive nos músculos envolvidos na respiração), sendo mais suscetíveis a problemas respiratórios;

– Maiores chances de desenvolver obesidade e diabetes;

– Envelhecimento precoce.

Riscos de sintomas graves

Diversas alterações do sistema imunológico conferem a essas pessoas maior suscetibilidade a infecções e doenças autoimunes.(Kusters et al. 2009)

A principal causa de morte em adultos e idosos com síndrome de Down é a infecção respiratória. Carfi A, Brandi V, Zampino G, et al. Editorial: Careofadultswith Down syndrome:Gapsandneeds. Eur J Intern Med. 2015; 26 (6):375-6.

A deficiência intelectual está presente em 100% das pessoas com síndrome de Down, em geral leve a moderada (Feldman et al. 2012).

Entre outras alterações, citam-se obesidade e Alzheimer, alterações auditivas (em cerca de 75% dos casos), ortodônticas(80%), visuais (60%), cardíacas (40% a 50%), endocrinológicas (15% a 70% e tireoidopatia em 4% a 18%), do aparelho locomotor (15%, com instabilidade atlantoaxial em 1% a 2%), digestivo (12%, com doença celíaca em 5%), sistema neurológico (8%, com convulsões em 1% a 13% e autismo em 5% a 18,2%), hematológico (anemia 3%, leucemia 1%, transtorno mieloproliferativo transitório 10%), deficiência de ferro (10%), apneia obstrutiva do sono (50% a 75%) (Roizen& Patterson 2003, Lowenthal et al. 2007, Bitsko et al. 2009, Geschwind 2009, Schieve et al. 2009, Moss et al. 2013, Warner et al. 2014,).

Envelhecimento Imunológico Precoce

No caso de um idoso sem síndrome de Down, aos 60 anos,ele passa a fazer parte do grupo de risco, segundo a SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), estima-se que uma pessoa com síndrome de Down aos 40 anos já experimenta esse envelhecimento de forma similar.

Porém, não seria um exagero dizer que, a partir dos 30 anos, as pessoas com síndrome de Down já comecem a experimentar mudanças relevantes no organismo que a aproximam de um idoso.

Soma-se a este risco imunológico as condições anatômicas que acompanham a síndrome, anteriormente citadas, associadas a eventuais cardiopatias, condições respiratórias, obesidade, diabetes, imobilidade, doenças cognitivas (Doença de Alzheimer por exemplo), entre outras patologias individuais que podem aumentar o risco para o indivíduo.

Maior Risco de Sintomas e Morte

Um estudo publicado em outubro do ano passado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, divulgado pela revista Science, alerta que a covid-19 é 10vezes mais mortal em pessoas com síndrome de Down.

Veja aqui

Por que as pessoas com deficiência devem ter prioridade na vacinação?

Maior Risco de Contaminação

– Pessoas com deficiência física (cadeirantes) colocam as mãos nas rodas das cadeiras.
– Pessoas com deficiência visual tocam em tudo para se locomoverem e identificarem as coisas.
– Pessoas com deficiência auditiva fazem sinais que levam as mãos ao rosto para se comunicar.
– Pessoas com deficiência intelectual podem ter dificuldade de entender a noção de distanciamento social.
– Pessoas com autismo podem ter dificuldade em usar máscara.
– Pessoas com deficiência psicossocial ou transtorno mental podem resistir a cumprir medidas de segurança.
– Pessoas com deficiência podem ter problemas respiratórios e imunidade baixa.
– Todas essas pessoas podem ter cuidadores/assistentes próximos, que se revezam e pegam transporte público.

Fonte: Movimento Down

Comprovação científica

Estudos comprovam que as manifestações da Covid-19 em pessoas com síndrome de Down são impactantes e que essa população pode desenvolver quadros mais graves da doença.

Um estudo feito em 2020, no Reino Unido, que acompanhou mais de quatro mil pessoas com Síndrome de Down, indicou que pacientes com Síndrome de Down (trissomia 21) têm até cinco vezes mais chances de serem hospitalizados e 10 vezes mais chances de morrer, se infectados pelo novo coronavírus.

Fonte: Sciencemag.org, da American Association for the Advancement of Science

COVID-19: SBP alerta para maior risco de hospitalização e morte de pessoas com Síndrome de Down

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

“O impacto devastador da covid-19 em pessoas com deficiência intelectual”

Fonte: The New England Journal of Medecine – Massachusetts Medical Society

Grupo de Interesse Médico sobre Síndrome de Down dos EUA

Fonte: Down Syndrome Affiliates in Action, GiGi’s Playhouse, International Mosaic Down Syndrome Association, Jerome Lejeune Foundation, T21 Research Society

Risco de mortalidade COVID-19 na síndrome de Down: resultados de um estudo com 8 milhões de adultos

Fonte: Annals of Internal Medicine

Covid-19 é dez vezes mais letal em pessoas com síndrome de Down, indica estudo

Fonte: Revista Superinteressante

Síndrome de Down e COVID-19 – Perguntas e respostas

Fonte: Movimento Down

A Dra Ana Claudia Brandão, que participa do estudo internacional sobre Covid e pessoas com síndrome de Down, falou sobre o assunto no VII Encontro Atenção à Trissomia 21. Assista a partir de 1h 14′


Explicação da geneticista Dafne Horovitz, pesquisadora da Fiocruz neste vídeo

Está no ar o novo episódio do Inclua Mundo!
Nesta edição, duas histórias trazem o reflexo sobre a vacinação no cenário de pandemia, uma é a do Pedro, que foi a primeira pessoa com síndrome de Down (T21) a ser vacinado no País, e a do Luiz Octavio de Almeida, que ficou 10 dias internado na UTI e depois de oito meses teve uma reinfecção.
O episódio mostra também a campanha “Uma Dose de Respeito”, iniciativa da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD), que reforça, através de estudos científicos, a necessidade de vacinação imediata às pessoas com síndrome de Down (T21).

Quem já aderiu à priorização da vacinação em pessoas com síndrome de Down?

Países que já estão priorizando vacinação para pessoas com síndrome de Down junto com o grupo de idosos:

Reino Unido, Holanda, Alemanha, França, Portugal, Itália, e Estados Unidos (alguns estados).

No Brasil, dois municípios saíram à frente e começaram a vacinação esta semana:

Sidrolândia – MS

Jardim – MS

Campo Grande – MS

Piauí

Natal – RN

– Sergipe – Sergipe

– Simão Dias – Sergipe

– Lagarto – Sergipe

– Campo do Brito – Sergipe

– Capela – Sergipe

– Itabaiana – Sergipe

– Aracaju – Sergipe

– Tobias Barreto – Sergipe

– Nossa Senhora do Socorro – Sergipe

– Laranjeiras – Sergipe

– Campo grande – Mato Grosso do Sul

– Sidrolândia – Mato Grosso do Sul

– Jardim – Mato Grosso do Sul

Comitê Técnico-Científico

Parecer pelo Comitê Técnico-Científico

Prioridade para vacinação em pessoas com síndrome de Down

Atualmente, já temos conhecimento suficiente para afirmar que pessoas com síndrome de Down (SD) são mais vulneráveis à Covid-19. A maior vulnerabilidade às infecções respiratórias virais (como o vírus H1N1 e vírus sincicial respiratório) e bacterianas já eram bem conhecidas, mas a resposta à infecção pela Covid-19 foi realizada através dos estudos realizados e publicados nos últimos meses.

Além da desregulação do sistema imune, estas pessoas têm maior prevalência de obesidade, diabetes, SAOS (síndrome da apneia obstrutiva do sono) e defeitos cardíacos congênitos, algumas delas já sabidamente listadas como fatores de risco para Covid-19 na população geral.

Além disso, os adultos com SD apresentam condições de saúde associadas a um envelhecimento precoce, incluindo a doença de Alzheimer, que ocorre num percentual expressivo e de maneira bem precoce (cerca de 20 a 25 anos antes do que na população sem síndrome de Down).

Nos últimos meses, foi produzida uma quantidade enorme de conhecimento em relação aos mais variados aspectos dessa doença. Alguns desses estudos vêm descrevendo como a população com SD está enfrentando a Covid-19 e, infelizmente, os dados mostram que são pessoas mais vulneráveis à infecção pelo Sars-Cov-2, principalmente quando consideramos os adultos com mais de 40 anos e os mais jovens quando têm condições de saúde associadas significativas.

Estudos de séries de casos e coortes em adultos descrevem que, em relação a população geral, pessoas com SD quando infectadas pelo Sars-Cov-2, têm quadros com desfechos mais complicados, portanto mais graves e com maior possibilidade de morte. Alguns deles estimam que para a mesma idade, o risco de hospitalização e mortalidade é de 4 a 10 vezes maior.

O estudo da T21 Research Society, que é uma iniciativa colaborativa e internacional e da qual o Brasil também participa, publicado este mês na revista The Lancet (EClinica lMedicine), até o momento avaliou o maior número de casos de Covid-19 em pessoas com SD (mais de 1.000). Esse estudo também revelou que em adultos com SD, o curso da infecção é mais grave e as taxas de complicações e mortalidade são significativamente mais elevadas do que na população geral. Confirma também um risco muito elevado de Covid19 grave naqueles com mais de 40 anos, similar às pessoas 30 anos mais velhas, com uma chance 3 x maior de morte.

Considerando todas essas informações, os adultos com SD com mais de 40 anos e aqueles de qualquer idade que possuem comorbidades significativa são grupo de alto risco para evolução mais grave e maior mortalidade se afetados pela Covi-19. Portanto, no contexto da priorização para a vacinação dos grupos de pessoas com alto risco, recomendamos fortemente que pessoas com síndrome de Down (especialmente aqueles com 40 anos ou mais, e os mais jovens que possuam comorbidades) sejam priorizadas nos programas de vacinação contra a infecção pelo Sars-Cov-2. Essa iniciativa já vem sendo tomada por outros países do mundo, como Espanha, EUA, Holanda, Itália e Reino Unido, tendo sido aprovada pelas entidades sanitárias locais em vista das sólidas evidências científicas.

É de suma importância que se reconheça o quanto antes que as pessoas com síndrome de Down apresentam altíssimo risco frente a Covid19, e, portanto, precisam estar protegidas. Até o momento, a única maneira de chegar a essa realidade é que sejam vacinadas e, para tanto, é urgente que estejam nos grupos prioritários iniciais de vacinação.

Dra. Ana Claudia Brandão

Membro do Comitê Técnico Científico da Federação Brasileira das Associações de síndrome de Down

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